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PALAVRA DO PRESIDENTE
 
Caros amigos,

No início de dezembro de 2015 recebemos uma convocação do Ministério da Saúde para uma reunião a respeito da repercussão da microcefalia associada ao Zika vírus em mulheres grávidas, provocando lesões oculares em recém-nascidos, assunto já comentado no último número do JBO ( edição171) e no nosso site.

Como já é do conhecimento da comunidade médica, os sintomas são parecidos com os da dengue: febre, artralgias, dor de cabeça, exantemas, fraqueza muscular e prurido. O transmissor é o mesmo da dengue- Aedes aegypti.

Desde a reunião de dezembro passado, aumentaram os casos de microcefalia, condição neurológica rara, identificada na fase da gestação, principalmente em Pernambuco, Bahia e na Paraíba, mas já registrados também em outros estados brasileiros. Até o dia 2 de janeiro passado, segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem 3.174 casos suspeitos da má-formação, em 21 estados.

Em Pernambuco e São Paulo, conforme noticiado pela imprensa, oftalmologistas já investigam a ocorrência de lesões na retina e no nervo óptico, que podem causar perda de visão em bebês com microcefalia associada ao Zika vírus.

A Fundação Altino Ventura, de Recife, divulgou que 40% dos bebês examinados com microcefalia por Zika vírus apresentam problemas como o distúrbio pigmental da retina e diferentes graus de atrofia da retina, da coroide e do nervo óptico.

Em artigo publicado em 7 de janeiro último na revista científica The Lancet, pesquisadores da Fundação Altino Ventura, do Hospital dos Olhos de Pernambuco (Hope) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descrevem uma associação entre a infecção pelo vírus em mulheres grávidas e a descoberta das lesões oculares em recém-nascidos.

Assim como outras viroses e infecções bacterianas, como a rubéola, a toxoplasmose e a sífilis, o Zika vírus, quando contraído nos primeiros meses da gravidez, pode causar diversos tipos de lesões cerebrais no recém-nascido, além da microcefalia.

No entanto, esta é a primeira vez em que lesões oculares associadas ao Zika vírus são descritas em recém-nascidos, de acordo com o artigo da revista inglesa.

A ocorrência das lesões oculares é a primeira descoberta documentada, após a realização de mutirões de exames em Recife e Salvador, duas das cidades com maior número de casos de microcefalia.

Os exames mostraram que o aspecto dessas lesões é diferente das causadas por outras infecções. Por isso, as mães também estão sendo examinadas para que nos certifiquemos de que elas não tinham nenhuma deficiência visual que o recém-nascido possa ter herdado, segundo Rubens Belfor Jr., professor da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, um dos autores do artigo.

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia parabeniza os colegas e as instituições pioneiras nesse estudo e esperamos que outros colegas oftalmologistas relatem os desdobramentos dessas sequelas oculares para que possamos todos juntos orientar a população sobre os efeitos desse problema, que já assume caráter de epidemia.

As redes sociais e de comunicação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia estão abertas aos que desejarem divulgar mais informações sobre as investigações em curso.

Cordialmente,
João Alberto Holanda de Freitas
Presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia
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